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O cachorro Eu quero

17/10/2007 15:13:38
Por Moskito

Naquela tarde de sol eu estava sentado na grama na frente da casa de minha vó conversando com a minha prima sobre o que se passava naquela maldita guerra familiar. Assunto esse que já estava saturado por todos, menos pelos envolvidos. Eternos insatisfeitos, ganância que mata e destrói.

E durante a conversa os familiares chegaram para a reunião que eu e minha prima não participaria. Nossos pais sim, reais envolvidos com tudo. E foi quando chegou o ultimo carro que esse cachorro veio subindo a rua e parou perto da gente, ficou por ali, um cachorro diferente, um cachorro meio estranho, um olhar de quem tudo entende.

Não sei bem o que aconteceu, mas ali estava ele e de repente conversava com minha prima. Ela me explicou que o cachorro era um anjo da guarda. Ateísta convicto, ri. Não vai ser um cachorro que fala que vai me convencer que deus existe, não vai mesmo! Afinal tu sabe como a genética está avançada, um cachorro falante não me surpreende tanto assim.

Mostrando indiferença - mesmo que impressionado - eu entrei enquanto minha prima fazia pedidos e algum tipo de prece para o cão. Fui para a sala lá em baixo, e enquanto ouvia música atirado no chão chegou esse cachorro denovo e ficou me olhando. Incomodado resolvi puxar papo, para ver qual era a do animalzinho.

Marrom, fuço redondo e começou a se achar gente, até assistir televisão ele assistiu.

- Opa
- Oi
- Posso fazer perguntas?
- Qualquer coisa
- O que tu é cara?
- Essa eu não respondo.

O cachorro era pequeno, estava sozinho comigo e ousava não responder minhas perguntas, cão louco. Segurei ele "pelos ombros" (ele estava de pé) e sacudi três vezes, dietando-o no chão. Reação nenhuma da parte dele, perguntei:

- E agora, tu responde?

Tomado por algum tipo de medo ou arrpendimento - mesmo sem ter machucado - soltei ele deitado e ri. "Brincadeira, eu adoro cachorro" disse. E era verdade.

- Eu sei...
- Que eu adoro cachorros?
- Isso.
- Tá. E qual teu nome?
- Eu quero.
- O que?
- Meu nome é Eu Quero.

Como qualquer pecador infame, ri. Ele explicou que se chamava Eu Quero porque estava "entre nés" para atender pedidos das pessoas. Quase um cachorro gênio de lâmpada. Mais uma vez meu orgulho se mostrou na forma de indiferença e nenhum pedido. Ele era cativante, não tinha auréola ou cabelo encaracolado loiro, mas tinha alguma coisa angelical. Sim, um cão normalmente símbolo de Lúcifer - o mal de todos os males - estava ali com um jeito angelical, com palavras doces e confortantes para qualquer coisa que se falasse.

Não foi o suficiente para me converter. Liguei a tv e ficamos assistindo, agora ele já estava sentado feito gente e no sofá, bem estranho. Mas pela simpatia "da coisa" não comentei nada. A estressante reunião de família estava rolando la em cima, debates.

- A vózinha morreu.

Somente eu e o cachorro assistindo algum seriado metido a engraçadinho e ele fala isso. Estranhei muito.

- O que?
- Tua vó morreu.

Morreu como, caralho. Ela está lá em cima na reunião. Corri escadas acima, atravessei o corredor inteiro do segundo andar da casa desesperado e começando a ficar com medo daquele cachorro e daquela situação bizarra. Antes mesmo de abrir a porta de correr que dava para a sala onde acontecia a reunião ouvi choros. Abri, fiquei paralizado olhando todos os irmãos chorando, tristes ou me olhando.

- A vó passou mal, foi para o hospital.

Eu sabia que ela estava morta e aquele cachorro falante tinha alguma coisa a mais, como ele sabia no exato momento? Corri, pulei degraus e cheguei la onde estava antes.

- Ela vai ficar bem...

Eu estava brabo, culpando o cachorro por aquilo. Culpa tua, o que foi que ela fez? Gritava descontrolado. Ele nem se mexia, ele parecia não ter medo nenhum de morrer. Eu estava pronto para empacotar aquele cachorro a chute.

- Ela vai ficar bem.
- Eu Quero! Eu Quero que minha vó fique bem, me atende, EU QUERO!

Ele me olhou, conseguiu finalmente acabar com minha indiferença. Ajoelhado na frente do cachorro - que continuava sentado no sofá - eu implorava para que ele atendesse o meu pedido. Maldito cachorro.

- Vai ser difícil, já está feito...

Apaguei naquele momento. Acordei com minha mãe me chamando para ir para o hospital. Minha vó estava bem e minha prima não lembrava da cachorro nenhum. Quando eu estava a caminho do hospital, o cachorro estava sentado na porta. Correu em minha direção como um cachorro comum, abanou o rabo, pulou na minha perna e sumiu. Nunca mais o vi.



Tags: morte, , religião, cachorro, contos, crônicas ,

Bruno


Que estranho...tomara que não apareça nenhum cachorro desses na minha frente.

17/10/2007 16:33:53


Nossaaa.. até arrepia de tão verdadeira que parece.
Um beijo.

17/10/2007 17:17:28

Kid_Limao


Moskito!
O que você anda tomando?
Eu Quero!

17/10/2007 19:42:18

GATINIO NA NETY


AEAE YOOOUS :3

18/10/2007 10:54:24

GATINIO NA NETY


*stol solitario :(


18/10/2007 10:56:36

Moskito


benzadeus, miguxos por aqui agora?
haha

18/10/2007 15:23:17

biaaa


eu quero um cachorro eu quero

*-)

18/10/2007 17:30:33

CoN


Comentário atrasado, mas porra, texto bom pra caralho ein

23/10/2007 02:37:03


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Spammer safado, você é humano? 6 + 24?

Então responda, quanto é 102 + 2?

2008 + 24?

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