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Resistência

23/10/2007 19:04:22
Por Con

A noite fria ia caindo na cidade. As ondas do mar se agitavam, o vento balançava as folhas das palmeiras. As poucas pessoas que se via nas ruas andavam a passos largos, visando suas casas antes do toque de recolher da noite.

Já se via patrulheiros nas ruas. Suas capas pretas, o horrível emblema da opressão em seus braços, andando em duplas pelas vielas, ruas e avenidas da cidade. Desde o início da opressão, os patrulheiros foram o símbolo máximo do medo e do fim da liberdade.

Em um apartamento na orla da praia, seis jovens conversavam em volume mínimo. Quatro garotas, dois rapazes, discutiam detalhes sobre sua parte na manobra dessa noite.

-Risco, todos nós sabemos que corremos.

E sabiam. E estavam dispostos a corrê-lo. Se sacrificariam, se necessário, pela liberdade, pela possibilidade de se expressar, pelo direito de ser feliz.

- Então é isso... – quem falava era Juliana. Nesse grupo, não havia líderes ou comandados, mas se houvesse um líder, ela era ideal pro cargo. – Esperaremos aqui até que dêem o sinal combinado. Então, nos espalhamos e criamos aquele caos. Os patrulheiros virão, essa é a intenção, mas ainda assim será perigoso. Temos que estar todos prontos. Estão equipados?

Todos assentiram. Via-se que tinham rádios de comunicação, lanternas, granadas de fumaça, algum combustível, tochas e revolveres. Embora o plano estivesse bem determinado, todos estivessem bem equipados e dispostos a correr riscos, ainda assim, a tensão no pequeno apartamento era enorme.

O tempo foi passando. Os seis estavam dispersos pelo apartamento, ocupados em seus próprios pensamentos. Lá fora, o silêncio do medo que a noite trazia reinava sobre o uivo do vento e os ruídos do agito marítimo. De repente, a tensão se aumentou ao máximo quando o telefone de Juliana tocou. Todos se olharam nervosos: o plano previa que o toque seria no telefone de Tiago, e só em caso de problema, fariam contato com Juliana. A garota se adiantou, atendeu à chamada:

- Abortar! Fomos descobertos. Fujam!

O rosto da garota ficou branco. Mais um plano frustrado. Olhou seus companheiros, manteve a firmeza, mandou-os fugir. A saída do prédio foi tumultuada, patrulheiros apareceram, houve tiros, correria, gritos, morte.

Mais tarde, refugiada, em segurança (mesmo que frágil e temporária), desabou. Sentiu-se fraca, impotente. A opressão continuava, o medo continuava, o autoritarismo continuava. A cada novo plano, a cada nova tentativa, um novo fracasso. Mas era preciso continuar, erguer a cabeça e lutar. Levantou, se recompôs. Fez algumas ligações, mandou alguns recados. Era hora de recomeçar a pensar.



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Kid_Limao


Começou bem...
Espero pelo resto!
ABRAÇO!
SUCESSO!

24/10/2007 10:25:40

Fernando


Sinistro

24/10/2007 11:38:04

Moskito


Baita texto Con!

Isso me lembrou Hugo Chavez....

24/10/2007 12:12:41

biaaa


"compromisso com a subversão"

como já dizia meu professor portuga...

avante! o/

24/10/2007 12:18:41

CoN


Haha, eu não tinha idéia pra um título pro texto, "Compromisso com a subversão" teria sido um bom (Y)

24/10/2007 13:36:42

Bruno


Belo texto. Vamos esperar pela continuação, se é que vai ter uma.

Ou vamos esperar peo dia que Juliana foi encontrada com um belo buraco na cabeça, quem sabe?

24/10/2007 16:41:21

Jéssica


Uau! Muito bom o texto!!!
Também quero saber como essa história continua!!!

30/10/2007 19:10:51

parma


bom texto ;p

24/11/2007 22:35:08


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Então responda, quanto é 105 + 4?

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