Comodismo é uma coisa deveras prejudicial para a saúde, para a economia, as amizades e relacionamentos. Eu que sofro de bipolaridade sei muito bem disso, por algumas semanas sou a pessoa mais produtiva e pró ativa do mundo e aí passo por semanas de comodismo total quase diagnosticados como depressão.
Quando alguém te pede um favor simples, faça-o na primeira oportunidade. Não deixe para depois que se tu é como eu – amnésia – terás problemas por esquecer e nunca executar a tarefa simples que te roubaria dois ou dez minutos. E com a constante falha na execução de favores ou tarefas simples ficará com a fama de “pouco interessado” ou preguiçoso ou gente ruim, boba chata feia. E isso é ruim, seja a pessoa teu amigo, teu chefe ou tua namorada. O mundo admira pessoas “mão na massa”, na minha participação no R Design em Porto Alegre conheci muita gente assim e pensei: VÉÉÉÉÉI, ELES SÃO MUITO ATIVOS VÉÉÉÉÉÉI!
Sobre a prestação de favores eu não estou querendo estimulara pagação de pau, nem idiotas pau mandados. Eu nego muito favor. Eu sou muito chato. Eu não sou lá o cara mais mimimi-quero-fazer-amigos. Mas quando alguém me pede algo que gosto e posso fazer (e não vai me custar nada) eu faço na boa vontade – a menos que seja um Layout, porque aí eu cobro muito bem por isso, afinal preciso me alimentar e ganhar algum dinheiro para comprar um vídeo-game, um notebook ou um colchão.
E eis que chega a fase baixa da bipolaridade: me torno a escória, o comodismo encarnado. Se acumulam tarefas simples que acabo deixando para o depois que sei que nunca chegará, decepcionando muita gente, perdendo muitas oportunidades de trabalho. Não deixo na mão os clientes que já tenho por uma questão muito ética e capitalista, mas não faria nem o mais necessário do necessário - se isso não fosse realmente necessário (não sei se é realmente necessário essa minha ênfase no “necessário”).
Não sejam comodistas, queridos leitores. Traçando um perfil dos leitores daqui eu vejo que são pessoas... diferentes. Mas é normal ser diferente. Existe a grande parte de para-quedistas e os fiéis leitores bacanudos, que são criativos e metidos a engraçadinhos – que acabo me identificando com eles, ou você.
Pessoas com idéias boas que travam em sua execução e precisam de constantes estímulos (ou ameaças, no caso de seus empregos e vida acadêmica) para que continuem executando as tarefas com excelência e prazo estabelecidos. Então valorize teus amigos chatos que dizem: faz isso, seu merda. Faça aquilo puto! Tu ainda não entregou teu trabalho acadêmico? Terminou as referências do teu TCC? Passou aquele orçamento?
Para pessoas como eu o chato é necessário. Por mais chato que seja.
Esse não é o tipo de texto que eu escrevo por aqui normalmente. Auto ajuda não é pra mim. Meu orgulho não permite.
Não deixem que boas idéias (e boas ações) travem na parte da execução por comodismo. Ponham em prática as coisas boas (mesmo que boas só para ti) que tu tens em mente. E esta é a lição de hoje: eu não sei manter foco no Mas Que Loucura.
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