- Tu é diferente, não sei explicar, adoro estar aqui, contigo.
- Eu te amo!
Elas fisgam, lindas sensuais e todas "diferentes". Ela era diferente. E era tudo o que eu queria perto de mim, meu deus como eu queria ela perto de mim. E queria e tinha e tudo era uma beleza e não me importava de trabalhar e não me importava de pagar cervejas e não me importava de nada, me importava com ela e era a mais irracional das criaturas. Eu era um homem apaixonado. Mas nem tudo era tristreza, ela não me explorava nem tirava meu dinheiro, e nem nada. Trabalhava e me ajudava e me tratava muito bem, e era tudo lindo como qualquer idiota acha que é.
E lá estava eu, pela primeira vez - que posso lembrar - totalmente desesperado. Gente despreocupada feito eu não se abate pelo desespero nem nas horas mais tenebrosas, chama-se síndorme de superioridade, quando se pensa poder resolver qualquer situação. E isso tem seu lado bom: permite uma autoconfiança fenomenal para encarar as mais complexas adversidades.
Mas naquele momento, naquele exato momento não existia confiança que fizesse meus músculos pararem de tremer. Tremiam como se eu estivesse tendo uma convulção ou ataque epilético. Era ela!

Meus olhos não poderiam estar sendo mais cruéis comigo: realmente era ela. Nua, linda como sempre, beijando ele. Fuckin'hell, eu não tive nenhuma reação, fiquei parado olhando pela fresta na porta entreaberta, amargando e querendo nunca ter visto isso. Uma vadia, era isso que ela era.
Recuperado, bati na porta e entrei com um sorriso no rosto. O movimento dos dois parou. Freeze! Interrompi qualquer sensação boa do momento, pelo menos isso.
- Não precisa parar por minha causa. Só vim pegar meus cd's, estou de saída.
Ela balbuciou alguma coisa que não entendi e se vestia rapidamente enquanto eu pegava meus cds. Arrecadei o que me interessava botei na mochila e saí do quarto. Ela me chamou, mas naquele momento eu estava surdo. De dor, de coragem, de amor própio. Vadia, uma vadia como estas que encontrava em botecos que muito frequentei.
Liguei o carro e sai enquanto ela aparecia, ainda descalços mas vestida na frente da casa pedindo para eu esperar. Buzinei duas vezes, acenei e arranquei o carro. Parei na esquina, dei mais duas buzinadas e ela correu em direção ao carro. Quando ela se aproximava joguei sua bolsa - aberta, claro - pela janela e arranquei.
Fiquei com a carteira, o cartão foi suficiente para encher o tanque e comprar mantimentos para a viagem. O pouco dinheiro que tinha, guardei. Fiz meu ranchinho num mercado na saída da cidade, Argentina aí vou eu.
Meses, mais de ano assim, exterminados de minha memória. Nunca (e nem tentei) desobri quem era o cara, mas uma coisa é certo: ela é uma vadia.
Uma vadia, dessas que encontro nos bares!
- Ela realmente é uma vadia! esquece isso, ela te sacaneou mas tu esta aí, com uma experiência a mais...
- É....
Ela parecia tão diferente, tão segura, e linda, como todas as outras.
- Tu é diferente, não sei explicar, adoro estar aqui, contigo.
- Eu te amo!
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