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Memórias póstumas de quem ainda não foi

18/9/2008 12:32:15
Por Moskito

Em uma daquelas insônias que dá vontade de tomar tranquilizante de elefante me coloquei a pensar: e se eu morresse?

E essa é a única certeza desta vida, nós morreremos. Mas e se eu morresse naquela mesma madrugada fria?

Não disse pra minha mãe o quanto eu admiro ela no dia anterior, e isso me fez me sentir na maior das dívidas com ela, que sempre se sacrificou MUITO para diversos luxos e oportunidades que tive (e tenho) na vida. Nem falei pro ranzina do meu irmão que ele é um puta de um amigão, o melhor dos amigos. E nem contei pra minha irmã um segredo: que sempre a admirei pela inteligência e dedicação que tem para as coisas dela e que eu acho que ela vai ser uma super arquiteta, se assim quiser.

Não foram só esses pensamentos mais que manjados - não foi só a vontade de ligar pra minha namorada dizendo que estava com saudades, que ela era a mais especial das criaturas que apareceu na minha vida e mudou para melhor as minhas tortas linhas de raciocínio. Avisá-la que apesar de eu até estar pegando gosto pelas pesquisas acadêmicas, eu não servia para aquilo mesmo. Não foi só isso, e o sono apesar de me permitir mais ou menos delirar acordado não me permitia dormir e descansar de verdade.

Meus pensamentos foram mais longe.

Relacionamos a morte com dor e perda, e para mim ela nada mais é do que isso. Passagem? Para onde? Para baixo de sete palmos de terra talvez, e só. Talvez por essa relação quando pensamos em morte, automaticamente pensamos nas pessoas que amamos, lembramos de alguma péssima experiência e pensamos que, provavelmente, as pessoas que amamos passarão por isso e por nossa... culpa?

E entre estes vários devaneios, o céu ligeiramente claro, os pássaros começando a cantar em seus tempos e compassos perfeitos, resolvi desistir do sono. Sentei na minha escrivaninha e todos aqueles pensamentos me fizeram perceber como eu estava cercada de pessoas que eu quero bem.

Fiz uma pequena lista de coisas simples que eu sempre quis fazer mas, por preguiça, comodismo, sei lá o que, inventei uma desculpa em que só eu acreditava:  não tenho tempo e isso será só um hobby.

Na mesma semana comecei a tocar teclado, tomar café depois do almoço conversando com a minha mãe no sol e não mais respondendo e-mails, joguei (e perdi) uma partida de xadrez com meu irmão. Naquele final de semana reuni amigos aqui em casa, bebemos e falamos da vida enquanto eu encaminhava meu irmão, muito chato naquele estado etílico para a cama.

Agora, uma semana depois, se alguma coisa acontecer nessa outra madrugada fria, me sentirei muito menos culpado.



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bia


"A vida é doce, depressa de mais"
(L)

Me fez pensar...
:*



19/9/2008 12:37:17

Daniel Abreu


Eu procuro não pensar muito nisso, ainda tenho muito tempo pra viver (?)

20/9/2008 18:28:16

Moskito


Pois é Daniel, foi isso que disse o Pedro logo antes de escorregar e bater a cabeça no cordão da calçada....

21/9/2008 03:49:56

Moskito


"logo antes" existe? Fica estranho pra caralho...

21/9/2008 03:50:39

Fiaskento



Como diria a propagando do VISA
"porque a vida é agora"


O legal de se ter estes pensamentos é quando se tira algo aproveitável
eu já tive este pensamento mas eu pensei tamebm em quem viria ao meu velório e fazendo as contas vi que o negócio seria pouco
a partir deste momento começei a ter mais amigos



24/9/2008 13:45:40

Moskito


"a partir desse momento comecei a pagar mais cervejas..."

hahaha :P

Bom, eu não sei um algoritmo para calcular o quanto uma pessoa é querida e com base nisso ver as pessoas que viriam a um velório.

Eu, particularmente, acho velório uma coisa meio tosca e desnecessária...

24/9/2008 13:56:12

Kid_Limao


Se for ver bem, descartando os amigos que estarão trabalhando, os que estariam viajando, os poucos leitores do blog, os cobradores, poucas pessoas iriam ao meu velório.
"escorreu uma lágrima do olho esquerdo"

29/9/2008 11:08:57

paulo


Eu já quase morri umas duas vezes, uma afogado e a outra sem cinto, dormindo ao volante a 80kmh em uma árvore. Não doeu e nem foi tão desesperador, principalmente a primeira que foi uma sensação quase como "desistir", tipo "ah, deixa pra lá". Me senti um idiota depois.

6/10/2008 07:28:53

RPetter


Pô eu so pensei sobre assunto acho que umas tres vezes na vida ...
Quando o trem bateu no onibus que eu tava, e depois quando eu fui atropelado por uma carroça. E fiquei preso por 2 horas num elevador do meu antigo prédio.

De resto não penso muito sobre o assunto, mas uma boa questão é pensar qtas iriam ao meu funeral hj ....



9/10/2008 17:54:05

Marone Moraes


Belíssimo texto moska, nem parece teu! :P

Uma vez eu me peguei pensando nisso, mas sinceramente hoje isso não me passa mais na cabeça. Tento viver cada semana como se fosse a última. Ao acordar(Sim, as vezes eu durmo) eu quase sempre agradeço por mais um dia.

São os pequenos detalhes da vida que fazem a diferença.


"Viver é a mais belas das artes e que esse espetáculo dure muito tempo."

Grande abraço tchê!

Ps: Anota ai que antes de nóis vira as bota nós temos que fazer aquela bebedeira memorável! Eheheheh!

12/10/2008 10:14:23

Kid_Limao


Po! Quando forem beber, me chamem. É sério, podem chamar mesmo que eu vou aí! Só rpeciso de um lugar pra vomitar depois!
AUHuAH

13/10/2008 10:45:13

Gabriel


belo texto, parabéns

5/11/2008 23:59:00


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Então responda, quanto é 105 + 4?

2008 + 45?

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